Doom (1993): o clássico da id Software que definiu o FPS e o deathmatch online
Imagem: RAWG
Poucos jogos podem se orgulhar de ter criado praticamente um gênero inteiro do zero. Doom, lançado em dezembro de 1993 pela id Software, não foi exatamente o primeiro atirador em primeira pessoa da história, mas foi ele que transformou a ideia em fenômeno mundial. Com corredores escuros, demônios saídos do inferno e uma trilha sonora agressiva, o jogo definiu o que hoje chamamos de FPS e mudou para sempre a forma como as pessoas jogavam no computador.
Neste artigo da nossa série Jogos que Fizeram História, vamos além do óbvio e olhamos para o lado que muitas vezes fica de fora das retrospectivas: como Doom popularizou o multiplayer nos PCs, criou comunidades gigantescas e semeou uma cultura de modificações que sobrevive até hoje. Pegue sua shotgun virtual e venha conhecer o jogo que mudou tudo.
A id Software e o caminho até Doom
Antes de Doom, a id Software já havia experimentado o tiro em primeira pessoa com Wolfenstein 3D, lançado em 1992. Aquele jogo provou que era possível criar a sensação de estar dentro de um ambiente em três dimensões, correndo por corredores e disparando contra inimigos. Foi um enorme sucesso, mas a equipe sabia que dava para ir muito mais longe em termos de tecnologia e atmosfera.
Com programadores talentosos como John Carmack e designers como John Romero, o pequeno estúdio texano se dedicou a construir um motor gráfico revolucionário. O objetivo era criar mapas com paredes em ângulos variados, pisos em alturas diferentes, iluminação dinâmica e texturas muito mais detalhadas. Doom nasceu dessa ambição de superar tudo o que existia e entregar uma experiência visceral e imersiva.
Uma tecnologia à frente do seu tempo
O grande trunfo de Doom foi o seu motor gráfico. Embora não fosse tecnicamente 3D completo, ele criava uma ilusão de profundidade impressionante para a época. Salas com pé-direito alto, escadas, áreas em penumbra e efeitos de luz piscando davam ao jogo uma sensação de lugar real, algo raríssimo em 1993. Rodar aquilo num computador doméstico parecia quase mágica.
A jogabilidade também era rápida e fluida como nada visto antes. O jogador se movimentava em alta velocidade, girava rapidamente para enfrentar hordas de inimigos e alternava entre armas cada vez mais poderosas. Essa combinação de velocidade, tensão e violência estilizada criou um ritmo frenético que virou a marca registrada do gênero e influenciou incontáveis jogos nos anos seguintes.
O deathmatch e a revolução do multiplayer
Se o modo para um jogador já era empolgante, foi o multiplayer que transformou Doom em lenda. O jogo permitia conectar computadores em rede local para jogar em cooperação ou, melhor ainda, em confrontos diretos entre jogadores. Foi aqui que nasceu o termo deathmatch, cunhado pela própria equipe da id, para descrever partidas em que o objetivo era simplesmente eliminar os adversários.
O deathmatch de Doom mudou a cultura de jogar no PC. Nos escritórios e faculdades, era comum ver colegas conectando suas máquinas depois do expediente para caçar uns aos outros pelos corredores dos mapas. Essa experiência social e competitiva plantou a semente do que viria a ser o multiplayer online moderno, um pilar central de toda a indústria de jogos atual.
Entre os elementos que tornaram esse modo tão marcante, vale destacar alguns pontos que Doom introduziu ou popularizou:
- Partidas em rede local com vários jogadores enfrentando uns aos outros ao mesmo tempo
- O conceito de deathmatch, com foco puro no combate entre pessoas reais
- Modo cooperativo para atravessar as fases em equipe
- Mapas pensados para o confronto rápido e dinâmico entre jogadores
- A ideia de competição direta como parte central da diversão
Mods, WADs e uma comunidade eterna
Outro legado gigantesco de Doom foi a cultura das modificações. A id Software estruturou o jogo de forma que os dados das fases ficassem separados em arquivos chamados WAD. Isso abriu a porta para que jogadores criassem seus próprios mapas, inimigos e até campanhas completas. Rapidamente surgiu uma comunidade fervilhante compartilhando criações caseiras pela internet ainda incipiente da época.
Essa filosofia aberta influenciou toda a indústria e ajudou a estabelecer a ideia de que os jogadores podem ser também criadores. Até hoje, décadas depois, existe gente lançando mapas novos, mods elaborados e versões que fazem o jogo rodar em praticamente qualquer aparelho eletrônico imaginável. Doom se tornou quase um teste universal: se um dispositivo tem tela, alguém vai tentar rodar Doom nele.
O legado de Doom nos dias de hoje
É impossível olhar para os grandes atiradores modernos sem enxergar as digitais de Doom. Franquias inteiras devem sua existência ao caminho aberto pelo jogo da id Software, tanto na jogabilidade frenética quanto na ideia de competição multiplayer. O próprio Doom ganhou continuações e reinvenções muito bem recebidas, provando que sua fórmula continua envelhecendo com surpreendente elegância.
Mais do que um marco técnico, Doom foi um marco cultural. Ele mostrou que o computador pessoal podia ser uma plataforma de entretenimento poderosa, uniu pessoas em partidas inesquecíveis e inspirou gerações de criadores. Revisitar esse clássico é entender as raízes de boa parte do que amamos nos jogos até hoje, e é por isso que ele merece lugar de destaque na história dos videogames.
